Após um ano de política monetária mais restritiva no Brasil, que conviveu com uma taxa Selic que atingiu 15% ao ano, a expectativa do mercado é de que 2026 inicie um ciclo de arrefecimento, com projeção de encerrar o ano com a taxa básica de juros em 12% ao ano. A perspectiva é que seja um período de transição, com redução de juros, menor incerteza global e reprecificação gradual dos ativos, um ambiente que favorece a alocação balanceada de investimentos. Esse é o cenário apontado pelo Report Anual 2026 – Onde Investir, elaborado por analistas do BTG Pactual, que prevê um crescimento do PIB que deve moderar de cerca de 2,0% em 2025 para 1,5% em 2026, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados.
Dentro deste contexto, o ano de 2026 deve marcar uma transição relevante no ambiente de investimentos no Brasil e no exterior, com melhora gradual das condições financeiras, início do ciclo de cortes de juros e redução das incertezas macroeconômicas globais. Marcelo Estrela, sócio da Vertente Assessores de Investimento, empresa goiana contratada pelo Banco BTG Pactual para distribuir seus produtos, avalia que a melhora do ambiente macroeconômico deve estimular investimentos produtivos, contribuindo para geração de renda e fortalecimento do mercado de capitais. “Com este cenário, iniciamos um ciclo positivo para o desenvolvimento do País, pois a queda dos juros estimula a redução do custo de capital e, logo, incentiva o investimento privado. Ao termos mais investimentos, teremos também maior produtividade, que estimula o crescimento sustentável e o aumento de renda e arrecadação”, observa.
Ainda segundo o relatório, a incerteza global tende a diminuir com a consolidação de acordos comerciais pós-eleição de Trump. Estima-se a continuidade do afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (FED), com taxa terminal projetada em 3,13%, o que favorece o fluxo de capital para emergentes e reduz o prêmio de risco. A economia americana segue resiliente, com crescimento estimado em 2,1%, enquanto a Zona do Euro deve crescer cerca de 1,2%, após um processo bem-sucedido de redução da inflação por meio de juros mais altos sem provocar recessão, processo chamado de soft landing. Na China, o foco permanece na modernização industrial, tecnologia e estímulos ao consumo doméstico.
De acordo com a avaliação do especialista, Marcelo Estrela, esse contexto tende a favorecer uma recomposição dos portfólios de investimentos, com maior apetite por aqueles de maior risco ao longo do ano e espaço para a diversificação, tanto para os investidores mais tradicionais, quanto para os mais arrojados.
“Para os investimentos mais tradicionais, as prioridades devem incluir títulos de renda fixa pública, como os prefixados 2028–2029, pois são os maiores beneficiários das reduções de taxas de juros e o Tesouro IPCA 2035, com taxa real elevada e proteção inflacionária. Além disso, temos opções de crédito privado com boas classificações de risco, como os Certificados de Recebíveis de bons projetos imobiliários, Certificados de Recebíveis do Agronegócio de empresas de primeira linha, debêntures incentivadas e projetos de infraestrutura com garantias robustas”, destaca ele.
Já para perfis com maior tolerância ao risco, as oportunidades estão em ativos com alto potencial de valorização e teses de crescimento secular, observa Marcelo Estrela, conforme dados do estudo do BTG Pactual. “O mercado oferece boas opções de ações de crescimento, de empresas com expansão de produção, com liderança em IA e Nuvem. Os Criptoativos estratégicos como Bitcoin e Ethereum ganham projeção, agora validados por portfólios institucionais e novos marcos regulatórios”. Veja em detalhes abaixo, os principais investimentos destacados pelo Report do BTG Pactual para 2026:
Renda Fixa
* Títulos Públicos: Espera-se credibilidade do Banco Central e cortes de juros, beneficiando prefixados de curto e médio prazo (LTNs 2028/2029). Títulos indexados à inflação (NTN-Bs 2035) são preferidos.
* Crédito Privado: Foco em CRA e Debêntures Incentivadas high grade. Exemplos incluem CRA Minerva (exportação de carne), Debênture Rialma (transmissão de energia) e CRA Eldorado Celulose (desalavancagem).
Ações (Equities)
* Ações Brasileiras: Destaque para Prio (PRIO3 – óleo e gás), Tenda (TEND3 – habitação popular MCMV) e Copel (CPLE6 – energia privatizada).
* Ações Internacionais: Sugestões incluem Microsoft (MSFT34 – IA, nuvem) e Amazon (AMZO34 – AWS, IA, streaming).
Fundos de Investimento
Fundos 175: Genoa Sagres Ficfim (macro, quantitativo) e Ibiuna Long Biased FICFIM (equity long biased, fundamentalista).
Fundos Previdenciários: BTG Pactual Synergy Equity Hedge Prev FIF MM (long & short, baixa volatilidade) e Kapitalo K10 Global BTG Prev FICFIM (long biased, fundamentalista).
Fundos Listados
Fundos Imobiliários (FIIs): Kinea Rendimentos Imobiliários (KNSC11 – CRIs high grade), Hedge Brasil Shopping (HGBS11 – shopping centers) e BTG Pactual Real Estate Hedge Fund (BTHF11 – gestão ativa, mandato amplo).
Fundos de Infraestrutura: Sparta Infra FIC FI-Infra (JURO11 – projetos de infraestrutura, busca NTN-B + spread).
Investimentos no Exterior
Renda Fixa Global: Fim do ciclo de normalização monetária, com Fed cortando juros em 2026. Prioridade em qualidade e liquidez (investment grade, soberanos), com foco em carrego e reposicionamento tático.
Renda Variável Global: Normalização dos lucros, com crescimento de 11% no S&P 500. Foco em empresas com exposição a IA, infraestrutura digital, modelos asset-light e forte poder de precificação. Visão construtiva para os EUA.
Criptoativos
Cenário: Maior foco institucional, clareza regulatória e avanço nos casos de uso. Ambiente macro favorável (juros em queda, dólar fraco).
Ativos Destaque: Bitcoin (BTC – ativo estratégico), Ethereum (ETH – infraestrutura para smart contracts) e Solana (SOL – alta eficiência). Protocolos como Aave (AAVE – empréstimos descentralizados) também são mencionados.
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