Empréstimo de R$12 bilhões, fechamento de mil agências e demissão voluntária de 15 mil funcionários. Essas são algumas medidas do plano de reestruturação dos Correios, que segue com o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) 2026 até o dia 31 de março, com desligamento previsto até o mês de maio. A estatal busca adesão de até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027 para reduzir custos frente a uma crise financeira, mantendo incentivos financeiros aos colaboradores. A ideia é conter a crise financeira da empresa. Para 2026, a estimativa de que os prejuízos cheguem a R$23 bilhões. E até 2028, a estatal projeta uma redução de R$5 bilhões em despesas.

Os Correios identificaram um déficit estrutural superior a R$4 bilhões anuais, além de patrimônio líquido negativo de R$10,4 bilhões. O prejuízo acumulado até setembro de 2025 é de R$6 bilhões. O presidente da estatal afirmou que não há planos de privatização nem de uso de recursos do Tesouro Nacional.
O plano de demissão voluntária prevê a participação de 15 mil empregados, 10 mil entre 2026 e 5 mil em 2027. A medida pode gerar uma economia de R$2,1 bilhões. E em nova etapa do programa, será mantido o mesmo valor de incentivo financeiro oferecido na edição de 2025. A principal novidade é a possibilidade de ex-empregados dos Correios, funcionários na ativa e seus dependentes aderirem a um Plano de Saúde Família, com mensalidade menor e cobertura regional.
Outra mudança diz respeito à faixa etária dos participantes. Poderão se inscrever profissionais que ainda não tenham completado 75 anos até a data prevista para o desligamento. Na edição anterior, as regras de idade eram mais restritivas. Para aderir ao PDV, é necessário cumprir critérios mínimos de tempo de serviço. O funcionário deve ter ao menos dez anos de atuação efetiva na empresa e ter recebido salário por, no mínimo, 36 meses dentro dos últimos 60 meses.
Segundo a direção da empresa, o plano de recuperação da estatal será dividido em três partes:
- Recuperação de liquidez no caixa da empresa (curto prazo); com o uso dos recursos emprestados para cumprir compromissos e recuperar qualidade na operação;
- Reorganização e modernização (médio prazo); com estabelecimento de metas de produtividade a partir de janeiro de 2026; criação de planos de demissão voluntária, revisão de planos de previdência, fechamento de unidades deficitárias respeitando o plano de universalização do serviço postal, venda de imóveis e modernização tecnológica da área logística;
- Modernização esquemática do negócio (longo prazo); com contratação de uma consultoria externa para avaliar novas possibilidades de rearranjo societário, como transformação da companhia de uma empresa estatal para uma de capital misto, a exemplo de outras como a Petrobras.
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