Foi divulgado, nesta terça-feira (21), o informe semanal Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde. A publicaçãoreúne informações sobre focos de calor, qualidade do ar e população potencialmente exposta à fumaça, permitindo acompanhar os possíveis impactos dos incêndios florestais na saúde da população. Neste período, 15 estados,dentre eles Goiás, entraram na lista de 1.153 focos de calor.

A publicação integra o AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, e oferece informações para subsidiar a atuação das equipes de vigilância em saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos efeitos de eventos climáticos sobre a saúde.

O monitoramento ocorre durante a atuação do El Niño, fenômeno climático que pode alterar os padrões de chuva e temperatura no país. Dependendo da intensidade e da região, o fenômeno pode favorecer períodos de estiagem, temperaturas mais elevadas e condições propícias à ocorrência e propagação de incêndios florestais. A redução da umidade do ar também pode intensificar os efeitos da fumaça sobre a saúde.

O período impões cuidados especiais para com as crianças e os idosos:

• Crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes devem redobrar a atenção às recomendações gerais e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas respiratórios ou outras ocorrências de saúde.

• Indivíduos com comorbidades (cardíacas, respiratórias, imunológicas) devem ser orientados a buscar atendimento para atualizar seus planos de tratamento, manter medicamentos disponíveis, procurar auxílio médico em caso do agravamento do quadro clínico e considerar, se possível, o afastamento temporário das áreas afetadas.

A partir das informações reunidas no informe, é possível identificar municípios e regiões com maior exposição à fumaça e que demandam atenção das equipes de vigilância em saúde, especialmente quando há persistência de níveis elevados de poluição do ar. Os dados também permitem dimensionar a exposição de grupos mais vulneráveis, como crianças e pessoas idosas.

Para o trimestre de julho, agosto e setembro de 2026, as previsões indicam chuvas acima da média na Região Sul e abaixo do esperado no Centro-Norte do país, além de temperaturas mais elevadas que o normal em praticamente todo o território nacional. O cenário pode aumentar a possibilidade de ondas de calor, períodos de estiagem e ocorrência de incêndios florestais em áreas mais secas.

Historicamente, episódios de El Niño provocam impactos diferentes conforme a intensidade do fenômeno e a região do país. Entre os efeitos observados estão alterações no regime de chuvas, períodos de calor intenso, estiagem e, em algumas áreas, ocorrência de chuvas intensas e enchentes.

O informe cita algumas recomendações para evitar os impactos causados à saúde:

• Acompanhar previsões meteorológicas, boletins e alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar.
• Manter acessíveis os contatos de emergência (resgate, atendimento médico, bombeiros).
• Seguir as instruções dos órgãos locais de gerenciamento de emergências.
• Aumentar a ingestão de água e líquidos para manter as vias respiratórias hidratadas e protegidas
• Planejar a redução das saídas de casa e, se necessário, providencie a estocagem de suprimentos essenciais como alimentos e remédios.
• Para saídas necessárias, orientar sobre o uso preferencial de máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100, que devem ser utilizadas corretamente, cobrindo nariz e boca, e ajustadas ao rosto. A máscara deve ser mantida limpa, seca e substituída sempre que estiver danificada, úmida ou com uso prolongado. No entanto, a principal recomendação continua sendo a permanência em ambientes internos bem protegidos da fumaça.
• Planejar as atividades diárias com base nas informações oficiais sobre os horários de maior ocorrência de fumaça no intuito de minimizar a exposição.

• Evitar esforços físicos pesados e exercícios ao ar livre quando a qualidade do ar estiver comprometida pela fumaça. Recomenda-se, ainda, evitar atividades físicas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre as 12 e 16 horas, quando as
concentrações de ozônio são mais elevadas.
• Manter portas e janelas fechadas em residências, escolas e ambientes de trabalho nos períodos de maior poluição. A permanência deve ser em local ventilado, preferencialmente com ar-condicionado ou purificadores de ar.
• Ao dirigir, manter as janelas fechadas e o ar-condicionado em modo de recirculação.

• Evitar atividades que aumentem a poluição do ar intradomiciliar, como:
– preparo de alimentos em fogões à lenha ou outros tipos de fornos que utilizem energia não limpa como combustível (madeira, carvão, restos de vegetais, querosene, etc.) ou que tenham sistema de exaustão deficiente;
– aquecimento e iluminação da casa com lareiras à lenha, vela, lamparinas etc.;
– uso de tabaco (cigarro).
• Redobrar a atenção ao dirigir quando a visibilidade estiver alterada pela fumaça. Caso seja absolutamente essencial dirigir, manter as janelas fechadas e ligar o ar condicionado no modo de recirculação para evitar a entrada de ar contendo fumaça no interior do veículo.
• Para usuários de ar-condicionado, instruir sobre a importância de fechar a entrada de ar externo e manter os filtros limpos.
• Orientar para que a limpeza de cinzas seja feita com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de pó comuns que podem dispersar partículas finas.
• Realizar aceiros (desbaste de um terreno em volta de propriedades, matas e coivaras) preventivos para impedir propagação de incêndio. A largura do aceiro é ditada pelo tipo de vegetação, o terreno, a intensidade do incêndio e as condições climáticas.

• Nunca atirar bitucas ou cigarros ou fósforos acesos na vegetação.

• Não soltar balões ou fogos de artifícios.
• Não acender fogueiras.
• Não transportar ou manusear líquidos inflamáveis;