O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, celebrou, nesta quinta-feira (3), o Pacto Nacional pela Paz e Tolerância nas Eleições 2026, firmado com entidades da sociedade civil, organizações religiosas e outras instituições para fortalecer a democracia, promover a convivência pacífica e contribuir para a realização de eleições livres, seguras e legítimas.
O pacto visa fortalecer a democracia por meio do respeito à dignidade humana, às liberdades de consciência, crença, expressão e participação política, além de valorizar a pluralidade de ideias e opiniões como elemento essencial da vida em sociedade.
O coordenador residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Igor Garafulic, afirmou que o Brasil abriga uma das maiores democracias eleitorais do mundo. Segundo ele, o país construiu, ao longo de décadas, instituições sólidas e um sistema de votação internacionalmente reconhecido, destacando a capacidade extraordinária de organizar eleições em grande escala com segurança, transparência e eficiência.
“As eleições brasileiras são, portanto, motivo de orgulho não apenas para o Brasil, mas também para todos aqueles que muito trabalham pela democracia e pelo Estado de direito, e é justamente porque a democracia brasileira é forte que iniciativas como esta são tão importantes”, relata Igor Garafulic.
Representando a Igreja Católica, o arcebispo de Brasília, dom Paulo Cezar Costa, lembrou que as eleições representam “um momento fundamental, porque a celebração da democracia tem que ter seu momento de paz, um momento de tolerância”, destacando que, em um país polarizado, “é preciso perceber que o outro diferente não é um inimigo, mas alguém que pensa diferente de nós e que precisa ser respeitado como ser humano e também na sua diferença de pensar e de ser, pois a diferença deve ser vista como riqueza, não como motivo de intolerância, guerra e ódio”.
Para mãe Leila de Oxóssi, representante das religiões de matriz afro-brasileira, da Casa Luz de Yorima e da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, a política não pode ser um espaço de opressão. A líder religiosa defendeu que “os líderes religiosos respeitem as decisões dos seus fiéis e que não propaguem discurso de ódio”, orientando-os com “informações seguras e cuidado com as fake news“, para que haja coerência entre crenças e escolhas eleitorais, preservando, assim, os direitos da sociedade à liberdade e à convivência pacífica.
Por sua vez, o pastor Ismael Ornilo, presidente da Aliança das Igrejas Congregacionais do Brasil, lembrou que sua religião “nunca teve dificuldades de conviver com as diferentes religiões devido à nossa própria estrutura de voto de democracia desde o início”, destacando o respeito à forma de pensar diferente. Ressaltou ainda que a paz é o maior patrimônio em uma democracia e que, sem esse patrimônio, não há possibilidade de se ter democracia, algo que a instituição compreende desde a fundação da primeira igreja congregacional na Inglaterra, em 1567.
As instituições atuarão em conjunto para desenvolver as seguintes ações:
- promover campanhas, encontros, eventos e atividades educativas voltados à cultura de paz e ao fortalecimento da democracia;
- divulgar conteúdos institucionais, materiais educativos e mensagens de conscientização relacionados à paz e à não violência; e
- estimular práticas de diálogo e convivência respeitosa entre grupos com diferentes visões de mundo, crenças ou posicionamentos políticos.
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