Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) evitaram escolher o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) para o confronto direto nos primeiros momentos do debate da TV Anhanguera, realizado na noite desta terça-feira (29/9). Mesmo tendo liberdade para definir os adversários, os dois deixaram de lado o líder das pesquisas e concentraram boa parte dos embates entre si ou com Luis César Bueno (PT). A dinâmica ficou evidente já no primeiro bloco: Marconi escolheu Wilder para sua primeira pergunta, enquanto Wilder chamou Luis César. Daniel só entrou na rodada ao ser escolhido pelo petista, quando era o único candidato que ainda não havia respondido.

A movimentação ocorreu em meio à disputa entre Marconi e Wilder pela segunda colocação. Os levantamentos mais recentes apontam os dois tecnicamente empatados. No Real Time Big Data, Wilder registrou 19% e Marconi, 18%. Já na Quaest, Marconi apareceu com 19% e Wilder, com 15%. Na prática, os dois alternam posições nas pesquisas enquanto Daniel permanece à frente na corrida pelo governo.

No primeiro bloco, de tema livre, Marconi foi sorteado para abrir as perguntas e poderia escolher qualquer adversário, mas chamou Wilder para discutir saúde. Na sequência, Wilder também não escolheu Daniel e direcionou sua pergunta a Luis César, sobre agronegócio e MST. Ao longo das intervenções, Marconi e Wilder concentraram críticas semelhantes à situação da saúde estadual.

No segundo bloco, Marconi e Wilder voltaram a ficar frente a frente e o diálogo ganhou contornos políticos. Depois de nova discussão sobre saúde, Marconi defendeu publicamente que Wilder permanecesse no Senado e chegou a dizer que o adversário poderia ajudá-lo caso fosse eleito governador. “Você vai poder ajudar muito o Bolsonaro, o Flávio como presidente, e vai me ajudar como governador”, afirmou Marconi, antes de completar: “Eu acho que o senhor precisa continuar no Senado”.

A aproximação voltou a aparecer no terceiro bloco, quando Wilder escolheu novamente Marconi, desta vez para discutir a situação fiscal de Goiás. Os dois direcionaram críticas às contas estaduais, mas mantiveram uma interlocução direta entre si. Wilder disse ter ficado “muito contente” com o reconhecimento de Marconi sobre sua atuação no Senado. Marconi, por sua vez, voltou a defender a permanência do adversário em Brasília.

Nas considerações finais, Daniel criticou o predomínio dos ataques durante o debate e buscou contrapor o discurso dos adversários com resultados da atual gestão. “Eu, diferentemente de alguns candidatos aqui, sou um homem otimista. Acredito num futuro ainda melhor para o nosso estado. Goiás vive um momento extraordinário. Ficam aqui apenas criticando, atacando, mas eu sei que você, goiano, pensa diferente”, afirmou.