O governador Daniel Vilela determinou, nesta segunda-feira (19/10), a criação de um protocolo com compromissos para os municípios no combate à dengue zika e chikungunya. A medida foi anunciada durante reunião com quase a totalidade dos prefeitos de Goiás e integra a mobilização estadual para conter o aumento dos casos das doenças, impulsionado em 2026 pelo fenômeno meteorológico El Niño. Conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), foram confirmados até o momento 108.540 casos de dengue, 17% a mais do que no mesmo período de 2025. Em relação à chikungunya, os 11.309 registros representam aumento de 343% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“É uma preocupação muito grande. O ambiente este ano, com a antecipação das chuvas e o sol bem quente, mostra-se favorável à proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor dessas doenças, e justifica todo esse aumento. Mas precisamos agir rapidamente para conter isso e os problemas futuros que podem ser gerados em relação aos serviços de saúde pública do Estado, que, consequentemente, são refletidos nos municípios”, explicou Daniel Vilela, ao acrescentar, como parte da estratégia anunciada, que o Governo de Goiás estabeleceu para 26 de novembro o Dia D de combate à dengue, à zika e à chikungunya em todo o Estado.

A SES auxiliará as gestões municipais na logística das ações, que incluem a manutenção das Unidades Básicas de Saúde (UBS) em horário ampliado, conforme a demanda, e de uma unidade de referência em funcionamento nos fins de semana e feriados; o abastecimento das unidades hospitalares com soluções para reidratação oral e venosa, soro e analgésicos; o monitoramento dos estoques de testes e vacinas; a manutenção de equipes suficientes de agentes comunitários em campo; a eliminação de barreiras no acolhimento de pessoas infectadas, com acompanhamento e referenciamento; e a disponibilização de dados atualizados no Painel de Arboviroses da pasta.

“A reunião reforça o caráter municipalista do nosso governo, de apoio, caminhando ao lado das cidades em todas as ações”, ressaltou o governador Daniel Vilela, que também chamou a atenção para o aumento da circulação do sorotipo DEN-3 da dengue, responsável por 53,8% dos casos positivos registrados em 2026. Dos quatro sorotipos existentes (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4), os tipos 1 e 2 eram predominantes em Goiás. Com o crescimento expressivo dos casos de DEN-3, aumenta a possibilidade de infecção de pessoas que já tiveram contato com outros sorotipos e desenvolveram imunidade específica contra eles.

Ficou estabelecido, ainda, que, todas as quintas-feiras, às 10h, representantes das áreas de saúde do Estado e dos municípios realizarão encontros por videoconferência para atualizar informações e ajustar as medidas a serem adotadas. A partir de agora, as gestões municipais devem mobilizar suas estruturas em frentes como limpeza urbana; obras e infraestrutura; educação; comunicação; fiscalização; e meio ambiente para executar ações de controle, como a eliminação de criadouros do mosquito, a promoção de mutirões de limpeza, a intensificação de visitas domiciliares e a fiscalização de pontos críticos.

Para o titular da SES, Rasível Santos, o foco do trabalho conjunto deve estar na prevenção, além da adoção de todas as medidas logísticas estabelecidas. “Só conseguiremos obter êxito nessa batalha com a união de todos, inclusive da sociedade. O bom exemplo deve partir do Poder Público, mostrando que prevenir é melhor do que remediar. Não precisamos deixar o paciente escalar a rampa de complexidade dessas doenças para trabalharmos. Trabalhar de forma preventiva é fundamental para reduzir mortes, complicações, sofrimentos evitáveis e uso de recursos”, salientou. “Eliminar locais com acúmulo de água nas casas, recolher e descartar corretamente objetos que possam servir de criadouros e intensificar a limpeza de calhas e quintais é fundamental”, completou.

Mais iniciativas – No encontro, também foram apresentados outros investimentos realizados para apoiar os municípios no controle das doenças. Entre as ações estão a instalação de 5.736 ovitrampas em 104 municípios para monitorar a presença do mosquito; a distribuição de 3.278 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs); a capacitação de 592 profissionais de 161 municípios; e a disponibilização de equipamentos de fumacê e insumos para as ações de bloqueio e controle do vetor.

O Estado também tem ampliado o uso de novas tecnologias no enfrentamento das arboviroses. A metodologia Wolbachia já está em implantação em municípios como Valparaíso de Goiás, Luziânia e Anápolis, enquanto Aparecida de Goiânia e Trindade se preparam para receber a estratégia, considerada uma das mais promissoras para reduzir a transmissão da dengue, zika e chikungunya.

“Estaremos todos juntos”, frisou o prefeito de Jaraguá e presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), Paulo Vitor Avelar. “Aqui, a gente se preocupa muito com a dengue”, pontuou o prefeito de Aruanã, Arlirio Boi. A cidade é um dos pontos de atenção de Goiás por estar às margens do Rio Araguaia. “Ainda existe uma tranquilidade, mas, se não agirmos agora, vamos apanhar dessas doenças em janeiro. É uma iniciativa muito importante”, afirmou o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo.

Vacinação – A reunião reforçou, ainda, a importância da vacinação contra a dengue, disponível para a faixa etária de 10 a 14 anos, conforme diretriz do Ministério da Saúde, além da busca ativa de jovens não imunizados ou com o esquema vacinal incompleto. A vacina Qdenga é aplicada em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre elas. Para garantir a proteção adequada contra as formas graves da doença, é fundamental que as pessoas que iniciaram o esquema vacinal retornem às salas de vacinação para completar a imunização. Até o momento, foram aplicadas 402.915 doses, o que representa 54,84% de cobertura vacinal para a primeira dose. No entanto, 39,91% das crianças e dos adolescentes estão com doses atrasadas e ainda não retornaram para receber a segunda dose.