A forma de tratar o envelhecimento facial vem mudando. Em vez de concentrar a atenção apenas nas rugas e marcas visíveis, a dermatologia estética amplia o olhar para a estrutura dos tecidos, a qualidade da pele e a sustentação da face. É nesse cenário que uma tecnologia desenvolvida na Coreia do Sul para tratar flacidez e melhorar a sustentação da pele chega a Goiânia.

 

O XERF, nova geração de radiofrequência monopolar, utiliza duas frequências, 6,78 MHz e 2 MHz, que podem ser combinadas para alcançar diferentes profundidades dos tecidos. A proposta é estimular a remodelação do colágeno e atuar sobre diferentes estruturas envolvidas no processo de envelhecimento facial.

 

A tecnologia passa a integrar a prática da dermatologista Maria Lígia, que acompanha a evolução de tratamentos estéticos em centros internacionais. Segundo a médica, um dos diferenciais do equipamento está justamente na possibilidade de trabalhar diferentes planos dos tecidos, já que o envelhecimento não se restringe à superfície da pele.

 

“Ao longo dos anos, a derme sofre alterações, ocorre perda e desorganização do colágeno, o tecido subcutâneo se modifica e as estruturas responsáveis pela sustentação da face também são afetadas. Hoje falamos cada vez menos em simplesmente ‘tratar a pele’ e cada vez mais em tratar o envelhecimento de maneira tridimensional”, afirma.

 

Sobre o XERF  – O XERF possui três configurações de profundidade e dez níveis de energia, permitindo individualizar o tratamento de acordo com a anatomia, a espessura dos tecidos e o grau de flacidez de cada paciente. O equipamento também conta com monitoramento e mecanismos de resfriamento da superfície cutânea.

 

O tratamento funciona a partir do aquecimento controlado dos tecidos por radiofrequência. Esse estímulo provoca alterações nas fibras de colágeno existentes e desencadeia um processo progressivo de remodelação.

 

Segundo Maria Lígia, estudos histológicos com radiofrequência monopolar de dupla frequência demonstraram alterações na organização das fibras de colágeno após o tratamento, incluindo espessamento e encurtamento dos feixes e alterações em planos faciais. Na face, a tecnologia pode ser utilizada em regiões como terço inferior, contorno mandibular, área submentoniana, pescoço e região periocular, conforme a avaliação médica. “Um dos pontos destacados é a possibilidade de melhorar a sustentação sem modificar as características do rosto. O objetivo não é transformar a face, mas melhorar aquilo que o próprio envelhecimento foi alterando”, afirma.

 

O XERF é uma tecnologia não invasiva e não utiliza agulhas. O sistema WaveFit™, associado ao resfriamento integrado, distribui a energia em uma sequência de pulsos, permitindo o aquecimento controlado dos tecidos profundos enquanto a superfície da pele é resfriada.

 

A indicação, porém, depende da avaliação individual. Maria Lígia ressalta que a tecnologia não substitui universalmente procedimentos cirúrgicos e não é indicada para qualquer grau de flacidez. A escolha considera a anatomia, as características dos tecidos e o estágio do envelhecimento.

 

“O XERF pode fazer parte de protocolos combinados, porque o envelhecimento envolve diferentes aspectos. Podemos associar outros tratamentos de acordo com o que cada paciente precisa, sempre buscando uma abordagem mais completa e adequada para cada caso.” comenta.

 

Da Coreia para Goiânia – Desenvolvido na Coreia do Sul, o XERF ganhou espaço posteriormente em mercados como Estados Unidos e Europa. Segundo dados divulgados pela fabricante, a plataforma ultrapassou 2 mil equipamentos instalados mundialmente em menos de dois anos após seu lançamento na Coreia, em maio de 2024.

 

Maria Lígia acompanha essa evolução em congressos e visitas a centros internacionais. Segundo ela, Coreia e Japão têm uma forte cultura de prevenção e manutenção da qualidade da pele. “Não simplesmente adquirir uma nova máquina, mas incorporar uma nova possibilidade dentro de um planejamento global de rejuvenescimento”, afirma sobre a chegada da tecnologia a Goiânia.

 

Para a dermatologista, os pacientes também buscam cada vez mais estratégias de prevenção e manutenção. “A tendência é começar mais cedo, com intervenções menos agressivas e cuidados ao longo dos anos. As tecnologias baseadas em energia podem complementar outros tratamentos ao atuar em estruturas que não são necessariamente alcançadas apenas pelos injetáveis”, finaliza Maria Lígia.