A chegada do outono, na sexta-feira, 20 de março, traz temperaturas mais amenas, mas também marca o início da temporada de alerta para as doenças respiratórias. Com a redução das chuvas, o ar seco se torna um vilão silencioso, facilitando a circulação de vírus, que levam pacientes a lotar prontos-socorros em todo o país.
A infectologista Juliana Caetano Barreto Cypreste, do Órion Complex, explica que clima seco do outono resseca a mucosa do nariz e das vias aéreas, enfraquecendo uma barreira de defesa fundamental do corpo: o muco ciliar. “É exatamente essa falha na proteção que escancara as portas para a entrada de vírus e bactérias. Por isso, beber muita água e usar umidificadores de ambiente são medidas tão essenciais quanto lavar as mãos”, explica Juliana.
Algumas doenças devem estar no radar da população, orienta a médica. “Os protagonistas da estação já são conhecidos: o vírus da gripe (Influenza), o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a Covid-19 (SARS-CoV-2), além do adenovírus e rinovírus”.
Vitamina C resolve? – Para tentar correr das viroses, muita gente corre para as farmácias em busca de suplementos milagrosos para evitar a gripe. A vitamina C ajuda, mas a especialista alerta que ela não age como um escudo invisível contra os vírus se você não mantiver outros cuidados básicos. “É preciso vir combinado com sono em dia, atividade física e, sobretudo, a vacinação atualizada. Além disso, suplementos só devem ser tomados com recomendação individual de um profissional”, salienta a infectologista.
A melhor farmácia para a estação, lembra a médica, está na feira. Uma alimentação baseada em produtos naturais da safra de outono ajuda a manter o sistema imunológico preparado. “Inclua na alimentação as frutas da época: laranja, acerola, goiaba, tangerina e ameixa (ricas em vitamina C), vegetais alaranjados, como Abóbora e cenoura (fontes de betacaroteno), além de folhas escuras (couve e espinafre) e raízes e temperos, como batata-doce, inhame, além de alho e cebola, que possuem potente ação anti-inflamatória”, orienta
Resfriado ou urgência? Saiba quando ir ao hospital – Embora as viroses atinjam a todos, alguns grupos sofrem impactos mais severos e devem redobrar a atenção. O alerta máximo é voltado às crianças pequenas, especialmente as que frequentam creches e escolas, idosos e gestantes. Além de pacientes com doenças crônicas – como asma, diabetes, hipertensão e cardiopatias -, e pessoas imunossuprimidas (pacientes oncológicos, pessoas com HIV ou que fazem uso de imunossupressores).

A principal dúvida da população é identificar o momento certo de procurar o pronto-socorro. Sintomas como coriza, espirros, mal-estar, dor de garganta leve e ausência de febre (ou febre baixa) caracterizam apenas um resfriado comum, que pode ser tratado em casa. “O paciente deve procurar a urgência de um hospital se apresentar sinais de alerta, como falta de ar ou dificuldade para respirar, dor no peito, queda acentuada do estado geral, desidratação, confusão mental ou uma febre alta e persistente que não passa”, destacou a especialista.