A tradição tropeira volta ao centro das atenções em Goiânia, no próximo sábado (28/03), com a realização do evento “Queima do Alho – Tradição dos Tropeiros”.
O encontro será na Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) e deve reunir cerca de 3 mil pessoas em uma programação que combina gastronomia típica, música regional e manifestações culturais do universo sertanejo.
Promovida pela Associação dos Muladeiros do Estado de Goiás, em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Muares, a iniciativa conta com apoio do governo de Goiás, por meio do Programa Goyazes, mecanismo operacionalizado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás).
Participam do encontro 12 comitivas e uma equipe de apoio, que irão preparar ao vivo pratos típicos seguindo os métodos tradicionais.
O público poderá acompanhar todo o processo e participar da degustação, em uma experiência que conecta gastronomia e história. A programação musical inclui apresentações das duplas Divino e Donizete e Fernando e Alessandro, reforçando a identidade sertaneja do encontro.
Outro destaque é a premiação das comitivas que melhor representarem a tradição da Queima do Alho, com a entrega de fivelas de alpaca. Mais do que uma disputa culinária, o reconhecimento valoriza o respeito aos costumes e às técnicas históricas do universo tropeiro.
Tradição – A Queima do Alho é uma prática culinária que surgiu nas comitivas responsáveis por conduzir tropas de animais pelo interior do país. Ao fim das longas jornadas, os tropeiros preparavam refeições com ingredientes simples e duráveis, como arroz, feijão, carne, toucinho e farinha, cozidos em panelas de ferro sobre fogões improvisados.
Com o tempo, o que era uma necessidade logística se consolidou como um símbolo cultural, marcado pela convivência, pela troca de experiências e pela preservação de saberes transmitidos entre gerações. Em um estado com forte herança rural como Goiás, a tradição permanece como parte importante da memória coletiva ligada ao tropeirismo.
Cultura – Além das atrações principais, o evento abre espaço para manifestações espontâneas, como apresentações de berranteiros, modas de viola e demonstrações de práticas ligadas à montaria e à produção artesanal de equipamentos utilizados nas comitivas.
De acordo com a organização, a proposta é aproximar o público das raízes culturais do interior goiano, promovendo uma experiência que vai além do entretenimento e reforça a importância da preservação do patrimônio imaterial.
A estrutura do evento também contempla medidas de acessibilidade, com adaptações arquitetônicas, prioridade de atendimento e recursos de comunicação inclusiva, como intérpretes de Libras e conteúdos em linguagem acessível.
A iniciativa busca ampliar o acesso do público a uma vivência cultural que reúne tradição, gastronomia e música, consolidando a Queima do Alho como um dos principais símbolos da cultura tropeira no estado.
Leave A Comment