O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, entre os anos de 2022 e 2025. É o que indicam documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado. As informações foram reveladas pela Folha de S. Paulo na quarta-feira (8).

Os repasses estariam relacionados a serviços de consultoria prestados pela empresa MV Projetos e Consultorias, que pertence a Marconi, ao Banco Master. A empresa é citada nas investigações devido a movimentações financeiras consideradas atípicas.

Dados analisados pela CPI mostram que outros nomes ligados ao cenário político nacional aparecem na lista de beneficiários de pagamentos vinculados ao Banco Master. Entre eles, estão o ex-presidente Michel Temer e os ex-ministros Guido Mantega, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

As transferências eram feitas a escritórios de advocacia e empresas ligadas aos citados. A investigação busca esclarecer se os repasses tinham natureza estritamente profissional ou se houve irregularidade na contratação dos serviços.

Em nota, a assessoria de Marconi alega que ele está afastado de qualquer função pública desde 2018. “Desde então, atuou exclusivamente na iniciativa privada, de forma lícita, transparente e com dignidade, prestando serviços de consultoria a algumas empresas”, alega. Além disso, a nota afirma que o ex-governador prestou serviços a uma empresa considerada idônea e que o contrato foi encerrado em julho de 2025.

Caso Master – O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após a identificação de uma série de irregularidades na instituição. Desde então, Daniel Vorcaro, dono do Bando Master, passou a ser investigado por fraudes bilionárias, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Vorcaro está preso desde o início de março.