Mão de obra especializada, o Dia do Engenheiro marcou o calendário da sexta-feria,10. A data levanta uma questão que tem sido preocupante nos últimos anos, o forte déficit dessa mão de obra especializada que há no Brasil. De acordo com o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o país tem hoje uma carência de 75 mil a 76 mil engenheiros.
O Brasil também possui uma baixa proporção de engenheiros em relação à população total, segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Por aqui, a nossa proporção é de seis engenheiros para cada mil habitantes, bem abaixo de países como Japão e Estados Unidos que possuem uma média de 25 profissionais a cada mil habitantes. Estamos abaixo até mesmo de nações em desenvolvimento como a Índia, que possui 15 engenheiros para cada mil pessoas.
Para os que escolheram a profissão, o mercado está contratando. Rafael Carlos Gonçalves, coordena a área de Recursos Humanos da FGR, incorporadora que tem atualmente em seu quadro de colaboradores cerca de 140 engenheiros. Em sua visão, a maior carência é por profissionais com nível técnico consolidado aliado a competências comportamentais exigidas pelo setor.
“No contexto da construção civil, especialmente em empresas com operação intensiva como a FGR, há uma demanda crescente por profissionais que consigam atuar com visão sistêmica, capacidade de gestão e tomada de decisão em ambientes dinâmicos”, esclarece o gestor.
Ele exemplifica como é a atuação dos profissionais que atuam na FGR Incorporadora. “Eles atuam em diferentes frentes, como obras, planejamento, orçamento, suprimentos e projetos. Esse volume grande de profissionais reflete a robustez da nossa operação e a importância estratégica da engenharia para o nosso modelo de negócio”, explica o gestor.
Ele afirma que tem havido uma mudança relevante no perfil da nova geração, que passa a se relacionar com a carreira de forma diferente — com maior busca por propósito, equilíbrio e desenvolvimento acelerado. “Isso, por um lado, é positivo, mas também gera um desafio adicional para as empresas no que diz respeito à retenção de talentos, formação e maturação desses profissionais ao longo da jornada”, pontua.
Outro aspecto apontado como um fator que tem aumentado o déficit de engenheiros no país é má formação em ciências exatas, como matemática e física, que os estudantes carregam desde o ensino fundamental. O despreparo os leva a rejeitar carreiras em que tais conhecimentos são necessários. Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva para o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) revelou que só 12% dos alunos do ensino médio pensam em cursar engenharia.
Vocação – Com o seu registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO) entregue no último mês de março, o recém-formado Pablo Vinícius Vaz Arriel sempre esteve entre os alunos que eram interessados e gostavam de matemática e física, por isso a engenharia parecia ser um caminho natural. Mas ele conta que a motivação para seguir essa carreira veio de bem antes.
“Meu avô materno era pedreiro e meus tios também eram pedreiro, a maioria deles. E muitas vezes eu ia nas obras onde eles trabalhavam ou mesmo em casa, quando eles faziam algum serviço de pedreiro e eu estava sempre ali, querendo ajudar. E por isso sempre tinha a curiosidade em saber como um prédio se mantinha em pé, como a ponte não caía”, relata.
Ele conta ainda que o interesse pela engenharia aumentou ainda mais na adolescência, quando acompanhou uma série, que segundo ele, o protagonista era um engenheiro. “A série não tinha muito a ver com engenharia, mais pelo protagonista que era engenheiro, eu percebia que ele era muito inteligente. Então comecei a ficar ainda mais fascinado com essa profissão”, conta.
Pablo Vinícius integra a equipe Engenharia da FGR há quatro anos, ele entrou como estagiário em 2022 e recentemente foi efetivado como engenheiro trainee[SV1] , mas mesmo antes de se formar, percebeu que o trabalho da engenharia vai muito além de física e cálculos matemáticos. “Mesmo antes de me formar eu percebia que o engenheiro precisa ter uma visão que não é só da parte física. Ele precisa ver o todo numa obra, ficar atento a problemas de draga, elétricos, de paredes, reboco, piso, com revestimento. E também na maioria das vezes na engenharia você mexe com pessoas o tempo todo, então vejo que o engenheiro hoje é sobretudo um grande gestor”, analisa Pablo Vinícius.
Ele lembra por exemplo que em obras como as da FGR, em que você tem condomínios horizontais com mais 600 unidades residenciais, o profissional de engenharia precisa ter uma visão ampla, que vai muito além dos cálculos matemáticos, como preocupação com obras de infraestrutura, de asfalto, drenagem, projeto elétrico e outras. “Além do conhecimento técnico você precisa saber se comunicar, conversar, gerir pessoas e recursos materiais. Porque numa obra cada um é bom em uma coisa, então buscamos tirar o melhor dessas pessoas. Portanto, ao meu ver, o engenheiro é também aquele que tem uma visão holística das obras, mas ao mesmo tempo precisa estar atento a detalhes que podem comprometer o todo”, analisa o recém-engenheiro.
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