O 20º Festival Italiano de Nova Veneza acontece de 28 a 31 de maio, mas a um mês da grande festa, a cidade já está em ritmo acelerado nos preparativos. Para esta edição comemorativa, cerca de 150 mil visitantes são esperados para o evento, que envolve três a cada 10 moradores de Nova Veneza.
Na Cantina da Nonna, cozinha oficial do festival, 23 pessoas já estão trabalhando no pré-preparo dos pratos desde abril. O número chega a 120 cozinheiros e auxiliares nos dias da festa. Vânia Alves, chefe da cozinha, dá detalhes da preparação prévia dos pratos: “Ao lado da carbonara, da polenta frita e da bolonhesa, a porpeta [almôndega] é um dos pratos mais pedidos, e precisamos nos antecipar muito para fazer as milhares de pelotas de carne”.
Ela ainda antecipa o preparo de 2,5 toneladas de frango. “As carnes são cortadas, temperadas, porcionadas e congeladas agora, pois não teríamos tempo hábil para desossar, moer e cozinhar as pelotas no dia. Todo o restante é fresco. O macarrão é cozido no dia e os molhos também preparados na hora”, explica.
A produção dos pratos vai crescer 20% nesta edição, pois a programação se estenderá até a noite de domingo. O volume de ingredientes é grande: a cantina vai preparar 4 toneladas de macarrão, 1,2 toneladas de fubá foram encomendados para as polentas.
Os fornecedores locais também estão se movimentando para atender a demanda. Um exemplo é o agricultor Roberto Pereira, que está produzindo em sua chácara um canteiro de manjericão só para atender a Cantina da Nonna. “Até o momento, a cozinha já recebeu quase mil maços de manjericão e, para os dias de festival, entregaremos mais aproximadamente mil maços frescos para os pratos”. Outro insumo da região será o tomate cereja, serão cerca de 100 quilos utilizados de um produtor local.
Apresentações – Nas salas de aula da Escola Municipal Militarizada Frain Faquim, em Nova Veneza, as crianças se dividem entre as tarefas e os ensaios para a apresentação no palco do festival. São 40 alunos, com idades entre 6 e 10 anos, que compõem o coral Vocini di Veneza, criado em 2008.
As crianças vivem a expectativa que transborda em cada nota musical. “O coral infantil é uma engrenagem viva que alimenta e ajuda a preservar a cultura italiana na região”, diz a maestrina do grupo, Irailde Pereira. “Para os pequenos, não se trata apenas de música; é um momento de brilhar sob as luzes do festival que celebra a alma da cidade”, diz.
Os shows com as crianças acontecem na sexta e sábado, abrindo o palco das apresentações musicais. “Este ano vamos cantar cinco músicas, entre elas Speranza (Esperança), de Laura Pausini, e a versão italiana do hit Pretty Little Baby, de Connie Francis”, adianta. Outra canção será a versão italiana da música Como é Grande o Meu Amor por Você, de Roberto Carlos. A tradicional Funiculì-Funiculà também não vai ficar de fora.
As novidades do coral Vocini di Veneza não param por aí: esta edição do festival terá a participação especial do músico mirim Eduardo Sanfoneiro, de 13 anos, que irá acompanhar as melodias com o instrumento, dando um toque de goianidade na apresentação. Com cinco anos de carreira, Eduardo já tocou com grandes artistas como Gino & Geno, Jads & Jadson e Almir Pessoa.
Os ensaios estão acontecendo nos turnos da manhã e da tarde, integrados ao próprio horário de aula escolar, e as crianças estão se esforçando para brilhar no palco. Nos bastidores dessa preparação, o impacto chega às famílias. “Os pais acompanham o processo com um entusiasmo contagiante. Ver os filhos entoando as canções tradicionais e abraçando a cultura italiana traz a certeza de que a tradição de Nova Veneza não se perdeu no tempo; ela apenas rejuvenesceu, ganhando fôlego novo na voz de cada criança”, disse a regente.
Além do imensurável valor histórico e afetivo, o coral atua como um verdadeiro celeiro de músicos. A experiência de cantar no coral já serviu como o primeiro passo para muitos talentos. “Ex-integrantes, que um dia foram crianças com a mesma idade, descobriram ali sua vocação, formaram-se em música e hoje seguem carreira profissional, continuando a cantar e a encantar por onde passam”, destaca Irailde.
Decoração – A movimentação para a confecção da decoração também está a todo vapor para transformar o circuito do evento em um grande vinhedo. É que o vinho será o elemento central da edição comemorativa, cujo slogan é “Brindiamo Storia e Sapori” – Brindando História e Sabores, em português.
A decoradora Roseli Goulart e mais oito pessoas estão desde o início de abril com mãos à obra para trazer a essência dos vinhedos para o circuito do festival. Durante os dias do evento, a equipe vai chegar a 20 ajudantes.
Os visitantes vão poder experimentar uma imersão visual ao adentrarem o hall de entrada decorado com gazebos, folhas de parreira com uvas verdes, bordô e vermelhas, hortênsias verdes, vinho e lilás escura, barris de carvalho e lustres com luzes direcionadas que conferem um clima aconchegante.
No hall central estará o vinho de edição limitada produzido na Serra Gaúcha especialmente para a festa, o Veneza 1924 Cabernet Sauvignon.
Na praça em frente ao festival, quem ama tirar fotos pode contar com os espaços instagramáveis, pensados por Roseli. A decoradora criou espaços com estruturas arqueadas decoradas com os mesmos elementos do hall de entrada, também muito bem iluminado – serão 30 lustres distribuídos pelo circuito.
As paredes também receberão atenção especial, decoradas com barris de carvalho, hortênsias, folhas de parreira e uvas decorativas.
Um marco de 20 edições e história – O Festival Italiano celebra a herança italiana de Nova Veneza, cujos imigrantes chegaram a Goiás por volta do ano de 1912. A cidade é reconhecida como a maior colônia italiana do Centro-Oeste. O evento, que atrai anualmente milhares de pessoas, transformou o município, situado a 29 quilômetros de Goiânia, em um polo gastronômico e cultural.
Ano após ano, o Festival reúne cada vez mais pessoas, registrando novos recordes de público. Em 2025, bateu seu recorde histórico de visitantes, recebendo cerca de 150 mil pessoas nos quatro dias de festa.
Ao longo de 20 edições, a festividade se consolidou, fazendo parte do circuito cultural e gastronômico goiano. Em 2021, foi reconhecido oficialmente como patrimônio cultural imaterial goiano pelo Governo do Estado de Goiás, reforçando a representatividade e força da cultura ítalo-brasileira.
Para a edição de 2026, agendada para 28 a 31 de maio, o público pode esperar uma imersão completa: desde pratos típicos preparados por dezenas de cozinheiras na “Cozinha da Nonna” até apresentações artísticas que narram a história da imigração. O festival reafirma-se como o maior do gênero no Centro-Oeste, reafirmando a identidade cultural da cidade.
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