Na busca pelo shape perfeito e da energia necessária, muita gente tem lançado mão de um suplemento que tem sido moda nas academias Brasil afora, o whey protein. Mas o que muitos se esquecem é que a base desse alimento suplementar é um item comum nas casas brasileiras: o leite. O whey protein, nada mais é do que  a proteína do soro do leite.

Mas será que todo mundo que treina precisa de fato fazer uso desse tipo de suplementação, muitas vezes bem cara? Quem responde a essa pergunta é a nutricionista Amanda Cristina Motter Senta, especialista em Nutrição Clínica e com 16 anos de atuação.

Mas antes ela explica a diferença essencial entre o leite e os suplementos whey protein. “O leite puro contém proteínas, carboidratos e gorduras, enquanto o whey possui uma quantidade maior de proteínas por porção, não contém gorduras e tem pouquíssimos carboidratos, sendo que em algumas formulações não há nenhum carboidrato”, esclarece.

A nutricionista afirma que quem precisa de uma ingestão controlada de nutrientes, ou quem precisa de um rendimento maior nos exercícios, como por exemplo atletas profissionais, o consumo do whey protein  é interessante, e em certa medida necessário. “Mas para a maioria das pessoas que fazem atividade física em academia duas ou três vezes  por semana, por motivos de saúde ou estéticos, conseguem facilmente suprir essa necessidade diária de proteína, consumindo o próprio leite, em suas versões desnatadas ou semidesnatadas”, explica.

Sobre a mistura do leite com algum outro ingrediente como alternativa de alimentação pré ou pós-treino, Amanda Cristina esclarece que tudo depende do objetivo da pessoa. Segundo ela, caso o propósito seja emagrecimento, o leite desnatado assim como iogurtes já são o suficiente para atingir a recomendação diária de proteína sem ultrapassar a quantidade de gorduras do dia. Mas ela lembra que um não substitui o outro.

“O suplemento pode ser prático para atletas, praticantes de atividade física intensa, ou pessoas que precisam de grandes quantidades de proteína no dia, com ingestão controlada de gorduras, mas para a maioria das pessoas, receitas simples como leite batido com frutas e aveia podem fazer parte de uma refeição de pré ou pós treino”, diz.

Bem mais em conta do que os wheys protein industrializados, segundo a nutricionista, o leite pode ser utilizado tanto no pré como no pós treino. “Por ser rico em proteínas, é um alimento que ajuda na energia para a atividade física e também na recuperação da massa muscular”, ressalta a nutricionista.

Ela explica ainda que um copo de 200ml de leite contém aproximadamente 6g de proteína, e a recomendação de proteína no pós treino, para uma pessoa que não tenha uma atividade física mais intensa, como um atleta, gira em torno de 25 a 30g. “O leite ajuda bastante, mas é recomendável  associar o leite ao consumo de outras fontes de proteína como o ovo, carnes e algumas leguminosas”, afirma.

Alimento seguro – Além de ser uma fonte barata de proteína de fácil absorção e rico em cálcio, vitaminas e outros minerais essenciais para a formação óssea, muscular e imunológica do organismo, a recomendação da nutricionista Amanda Cristina para um maior consumo do leite se dá pela alta segurança sanitária do alimento.

Por ser um alimento de origem animal, o produto passa por várias e rigorosas etapas de fiscalização sanitária. Além do mais, o leite, dentro da indústria alimentícia, está entre os itens que mais evoluíram ao longo dos anos, como explica Vinícius Junqueira, diretor de marketing da Marajoara Laticínio, indústria localizada no interior de Goiás. “Hoje em dia, além de rigorosos controles de qualidade exigidos em lei, você tem muita tecnologia associada à produção do leite, desde a extração lá na fazenda, até a sua manufatura na indústria. E uma das grandes revoluções tecnológicas na cadeia produtiva do leite foi o uso do processo UHT”, afirma.

De acordo com Vinícius, a sigla UHT deriva do inglês ultra high temperature e designa o processo de tratamento pelo qual o leite passa na indústria e que consegue eliminar 99,9% das bactérias, consideradas nocivas ao organismo humano. “Esse processo, que consiste basicamente no aquecimento do leite de forma bem rápida a uma temperatura entre 130º e 150º graus celsius, seguido de resfriamento imediato, permite com que o leite seja conservado por até quatro meses sem refrigeração ou conservantes”, esclarece.

Outro salto evolutivo importante na cadeia leiteira foi a adição das embalagens cartonadas ou caixinhas longa vida, que hoje são mais de 90% do que é consumido no mercado. “As embalagens longa vida, que no Brasil são usadas comercialmente desde 1957, porém só se popularizaram por aqui nos anos 1970,  representam outro grande salto tecnológico e de qualidade para a indústria láctea. Isso porque, entre suas inúmeras vantagens, essa embalagem consegue armazenar o leite por até seis meses. Isso trouxe também um ganho importantíssimo para a logística do produto, uma vez que com esse tipo de embalagem o leite deixou de ser tão perecível e pode ser transportado aos mais distantes lugares do país”, destaca.