O programa goiano Goiás Todo Rosa, ganhou destaque no 28º Congresso Brasileiro de Mastologia, realizado em Goiânia. A iniciativa é referência nacional no Sistema Único de Saúde (SUS) em diagnóstico genético para câncer de mama.

Considerado o maior congresso sobre câncer de mama da América Latina, o evento reúne, até sábado (16/05), mais de 1,2 mil participantes e mais de cem palestrantes de todo o país. A SES-GO participa com ações voltadas à qualificação profissional e ao fortalecimento das políticas públicas em oncologia.

Em 2020, Goiás criou uma lei colocando à disposição o painel genético para todas as mulheres que têm a possibilidade de um câncer herdado, seguido do aconselhamento, cirurgia redutora de risco e a plástica reparadora. Com isso, o estado pode reduzir em mais de 80 por cento o risco dessas mulheres desenvolverem a doença. E ainda capacitamos toda a rede de cuidado, desde os agentes comunitários de saúde até os patologistas.

Goiás Todo Rosa – A mastologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rosemar Macedo Sousa Rahal, uma das idealizadoras e consultora do Goiás Todo Rosa, destacou o impacto do programa para pacientes da rede pública.

“Em torno de 5% a 10% das pessoas que desenvolvem câncer de mama têm predisposição para a doença e, até a implantação do projeto, a gente não tinha possibilidade de identificar essa situação no SUS. Ele possibilita que a gente identifique se a pessoa é portadora da predisposição genética que a coloque em risco maior”, explicou.

Implantado em 2023, o Goiás Todo Rosa ganhou projeção nacional após ser citado em reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), do Ministério da Saúde. O órgão recomendou a inclusão do exame genético para câncer de mama na rede pública de todo o país.

O programa oferece exame de sequenciamento genético para identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, alterações hereditárias associadas ao aumento do risco de câncer de mama e de ovário.

Em Goiás, o acesso ao exame começa pela rede pública de saúde, com coleta de sangue ou saliva e análise realizada pelo Centro de Genética Humana da UFG.

Até maio de 2026, foram realizados 911 exames genéticos. Desse total, 113 casos positivos foram identificados e inseridos em acompanhamento pelo SUS.