Nem todo artista descobre cedo que pode viver da própria arte. Com Nilander foi diferente. O desenho sempre esteve presente, mas durante muitos anos parecia apenas um talento da infância, sem necessariamente se transformar em profissão.

 

Natural de Iporá, no interior de Goiás, ele chegou a Goiânia há 15 anos, como tantos outros jovens que deixam cidades menores em busca de oportunidades. Na bagagem, trouxe roupas, planos e uma sensibilidade cultivada dentro de casa. Filho de um músico apaixonado pela liberdade criativa, cresceu em um ambiente onde caixas de lápis de cor, cadernos de desenho e horas dedicadas a reproduzir dinossauros e animais da fauna brasileira faziam parte da rotina.

 

A possibilidade de transformar aquele hobby em profissão surgiu quase por acaso. Enquanto trabalhava em um restaurante, observou um artista sendo contratado para desenhar as paredes do local com giz. A cena despertou uma pergunta simples: se alguém era pago para fazer aquilo, talvez ele também pudesse.

 

Dias depois, recebeu a oportunidade de criar uma nova identidade visual para o restaurante. Os desenhos chamaram atenção dos clientes, começaram a render encomendas e abriram caminho para novos trabalhos. Vieram murais, aquarelas, ilustrações para quartos infantis, pinturas em eventos e projetos personalizados. Quando o restaurante encerrou as atividades, a decisão foi definitiva: investir integralmente na carreira artística.

 

Desde então, Nilander construiu uma trajetória marcada pela diversidade de técnicas e pela capacidade de transformar diferentes superfícies em espaços de expressão artística. Entre os momentos que considera decisivos estão o primeiro grande mural executado na Ópera Café, em Goiânia, a pintura realizada ao vivo durante o batizado das filhas da influenciadora Virginia Fonseca e do cantor Zé Felipe, que ampliou significativamente sua visibilidade, e a participação no projeto beneficente Raposa 40, idealizado pela designer Meire Santos.

 

Na ocasião, a escultura personalizada em parceria com a arquiteta Victória Pinheiro foi arrematada por R$ 50 mil durante leilão beneficente, colocando seu trabalho em evidência entre arquitetos e profissionais do segmento criativo. Em 2024, outra intervenção artística ganhou repercussão ao transformar a fachada do Órion Business & Health Complex e do Hotel Transamerica Collection em homenagem ao Outubro Rosa.

Apesar do reconhecimento, Nilander diz que o processo criativo continua seguindo a mesma lógica de quando desenhava ainda menino: a inspiração nasce daquilo que vive. “A inspiração vem da paz. Ela vem do momento que você está vivendo. O contato com a natureza, você se sentir bem, útil, ativo. Tudo isso influencia demais na arte”, destaca.

 

A criatividade também escolhe onde morar – Há seis anos, Nilander mora no Jardim Atlântico – bairro situado na região Sul da capital – e afirma que o lugar contribui muito para a sua inspiração artística, já que ele consegue conciliar a rotina de trabalho com aquilo que considera essencial para criar: tranquilidade, contato com a natureza e tempo para observar o cotidiano. A escolha pelo bairro teve um motivo muito específico: a proximidade com o Parque Cascavel.

Para ele, viver ao lado de uma das maiores áreas verdes urbanas de Goiânia representa mais do que contemplar uma boa paisagem. A natureza passou a integrar seu próprio processo criativo, já que o parque faz parte da sua rotina, das caminhadas com a sua cachorrinha, dos momentos de pausa e da construção das ideias que, mais tarde, ganham forma nas telas.

 

Segundo o artista, é no contato com o verde e na tranquilidade que consegue desacelerar, observar e encontrar novas possibilidades para transformar experiências em arte. “Você ter uma vista para o verde em meio a uma cidade tão cosmopolita como Goiânia traz um respiro de criatividade fenomenal. Essa sensação de liberdade e de estar próximo da natureza ajuda muito no processo criativo”, afirma.

 

Enquanto prepara novos projetos artísticos e amplia parcerias em Goiânia, Nilander diz que seu maior objetivo continua sendo o mesmo de quando descobriu, ainda jovem, que era possível viver da arte: seguir criando obras que despertem emoções e façam parte da história das pessoas. Para ele, o reconhecimento conquistado ao longo da carreira é consequência de um processo que começou muito antes das telas e dos grandes murais, quando desenhar era apenas uma forma de enxergar o mundo.

“A inspiração vem da paz. Ela vem do momento que você está vivendo. O contato com a natureza, você se sentir bem, útil, ativo, tudo isso influencia demais na arte. Meu objetivo é continuar vivendo da arte e poder somar, de alguma forma, na vida das pessoas por meio dela”, conclui.