Há histórias que começam muito antes de um produto ganhar forma. Antes da bolsa, existe o tecido. Antes do pote de mel, a colmeia. Antes de a peça chegar à banca, existe alguém que imaginou, criou, errou e decidiu transformar uma ideia em trabalho. É justamente esse caminho, muitas vezes invisível aos olhos de quem compra, que o Projeto Raízes pretende colocar em cena nos dias 11 e 12 de setembro, no Shopping Estação Goiânia, no Setor Central.

Durante os dois dias de evento, mais de 30 expositores compartilham a mesma essência: a produção autoral. O funcionamento será das 10h às 19h na sexta-feira, e das 09h às 18h no sábado. Em vez de apenas revender mercadorias, eles levam para os estandes aquilo que nasce de suas próprias mãos.

Para Diego Rossi, coordenador de marketing do shopping, a proposta para o encontro vai muito além do comércio. “Queremos conectar o público não apenas com o que está à vitrine, mas com as histórias e trajetórias reais por trás de cada criação, valorizando diretamente o pequeno produtor e impulsionando a força da economia criativa”, destaca.

Do lixo ao luxo: o jeans que ganha nova vida com a La Madrecitta – Entre os nomes confirmados está Rita Barbosa, modelista e costureira industrial que transformou a inquietude com o desperdício das fábricas em arte sustentável. “Eu via os retalhos têxteis que sobravam das produções e pensava no destino deles. Infelizmente, iam para o lixo”, relembra.

Essa percepção mudou o rumo de sua carreira. Inicialmente, Rita passou a confeccionar bonecas de pano para doação, que chegaram a países como Senegal e Afeganistão. Em 2017, o jeans virou sua matéria-prima principal com a criação da La Madrecitta Bolsas Artesanais. Hoje, ela transforma calças doadas ou garimpadas em bazares beneficentes em peças exclusivas.

Por lá, o processo criativo começa antes mesmo do primeiro corte. “Quando pego uma peça jeans, já imagino que bolsa vou criar”, conta a artesã, destacando que essa visão ecológica é uma herança de sua mãe.

O resultado é uma produção única e afetiva, onde o próprio material dita o design final. “Nenhuma peça se repete, o que torna cada bolsa e carteira especial”, conclui Rita, que tem um carinho extra pelas peças bordadas com ipês amarelos. Doações de tecidos e roupas em jeans podem ser combinadas diretamente com a artesã pelo telefone (13) 98116-9601.

Da crise ao Cerrado: a descoberta do verdadeiro sabor do mel – Enquanto Rita ressignifica tecidos, Alexandre Januário encontrou nas abelhas um novo propósito. Especialista no segmento e organizador do tradicional Estação Mundo do Mel, ele migrou para a apicultura após os impactos econômicos da pandemia. “Foi a crise sanitária que nos fez deslocar do trabalho anterior para a criação de abelhas”, relata.

A mudança de carreira revelou a complexidade de um produto que costuma chegar simplificado às prateleiras dos supermercados. “Todo mundo acha que mel é tudo igual, mas não é”, enfatiza. Trabalhando com variedades como aroeira, cipó-uva, copaíba e laranjeira, Alexandre explica que a origem floral determina notas, cores e sabores únicos. Além disso, ele lembra que a colmeia oferece um universo que vai além do mel, fornecendo própolis e cera para a cosmética natural.

O manejo das colmeias exige técnica, respeito e uma boa dose de coragem. O produtor recorda, com bom humor, o dia em que seu macacão de proteção abriu acidentalmente: “De repente, as abelhas começaram a entrar. Rendeu várias picadas, mas o respeito por elas só cresceu”.

Para ele, esses insetos têm um papel vital no ecossistema, sendo “responsáveis por manter o ciclo reprodutivo das plantas, seja no Cerrado ou em qualquer outro bioma”.

Mais que estética: o cultivo de suculentas como terapia mental – O cultivo de plantas também se provou uma poderosa ferramenta de transformação para Emerson Simão, proprietário da Rocinhas das Suculentas e organizador do evento mensal Estação das Plantas. Ele iniciou sua jornada com o verde três meses antes da pandemia, em um momento delicado da vida, buscando uma válvula de escape para problemas pessoais. Durante o isolamento, transformou o hobby em estudo e, posteriormente, em um negócio próspero.

Conforme Emerson, as plantas deixaram de ser meros elementos decorativos e assumiram um papel central na saúde emocional. “As plantas hoje estão mais ligadas a um tratamento terapêutico do que à estética somente”, aponta. Ele defende que a rotina de cuidar, regar, podar e acompanhar o crescimento de uma espécie ajuda a manter a mente ocupada, tornando-se uma grande aliada contra a tristeza ou o luto.

Com as primeiras mudas recebidas de amigos e uma planta de maior valor que conseguiu reproduzir e comercializar, Emerson expandiu sua coleção e se consolidou no mercado. Hoje, com cerca de seis anos de experiência em feiras, ele também atua como um incentivador de novos empreendedores locais.

“Eu não vendo planta, eu vendo sonhos. Você vai passar mais tempo cuidando da planta do que pensando nos seus problemas”, resume, ressaltando o valor do Projeto Raízes para dar visibilidade a esses pequenos negócios.

Mais que produtos, identidades – A sinergia entre sustentabilidade, artesanato e pequenos negócios reflete uma mudança de comportamento dos consumidores, que buscam cada vez mais conexão e propósito no que consomem. Em Goiânia, as feiras já fazem parte da identidade cultural e econômica. De acordo com a Prefeitura, a capital possui 122 feiras livres cadastradas, espaços reconhecidos como motores financeiros e atrativos turísticos.

É exatamente para integrar esse ecossistema tradicional que nasce o Projeto Raízes, somando-se a um calendário estratégico que tem transformado o Shopping Estação Goiânia em um palco de experiências plurais. Nos últimos meses, o empreendimento provou sua versatilidade ao sediar eventos marcantes como o Estação Mundo do Mel, o Bazar Estação das Plantas, o Projeto Feira, o Estação Musical, o Palco Louvada, o Meada Burger, o Encontro de Multicolecionismo e a Liga Supervôlei.