O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), alerta para o aumento dos casos de sífilis em gestantes e reforça, durante o Outubro Verde, a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, especialmente durante o pré-natal. A campanha busca conscientizar a população e ampliar o acesso à testagem e aos cuidados necessários para o enfrentamento da doença.

Em 2026, Goiás já registrou 2.613 casos de sífilis em gestantes. O número reforça a necessidade de ampliar a atenção à doença durante a gravidez, período em que a infecção pode trazer consequências graves para a mãe e o bebê. Neste ano, também foram registrados 482 casos de sífilis congênita no estado, com um óbito. No cenário geral, Goiás contabilizou 7.783 casos de sífilis, sendo 62,89% em homens e 37% em mulheres.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) curável, mas, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode causar complicações durante a gestação, como aborto espontâneo, morte fetal, parto prematuro, baixo peso ao nascer e malformações. A doença também pode ser transmitida da gestante para o bebê, por meio da placenta, caracterizando a sífilis congênita.

Ao nascer, o bebê infectado pode apresentar feridas na pele, dor, aumento do fígado e do baço, além de outras complicações, como surdez, cegueira, alterações nos dentes e deficiência intelectual. O diagnóstico e o tratamento durante o pré-natal são fundamentais para evitar a transmissão da doença e reduzir o risco de complicações.

Dados do mais recente boletim epidemiológico estadual mostram a dimensão do problema. Entre 2021 e julho de 2026, foram registrados 17.319 casos de sífilis em gestantes em Goiás. No mesmo período, foram notificados 2.743 casos de sífilis congênita. A taxa de detecção da sífilis em gestantes também apresentou crescimento nos últimos anos, passando de 27,7 casos por mil nascidos vivos, em 2021, para 43,5 casos por mil nascidos vivos, em 2025, ano que registrou o maior número de notificações do período, com 3.879 casos.

Segundo a coordenadora de Vigilância das ISTs da SES/GO, Luciene Tavares, um dos principais desafios no enfrentamento da doença é garantir que a gestante complete o tratamento e que os parceiros sexuais também sejam tratados. “Apesar de simples, é preciso seguir até o final do tratamento, caso contrário os parceiros continuam infectando um ao outro”, explica.

Perfil das gestantes – Os dados do boletim epidemiológico mostram que a maioria dos casos de sífilis em gestantes ocorreu entre mulheres de 20 a 34 anos, faixa etária que concentrou 71,9% das notificações entre 2021 e 2026. As adolescentes de 15 a 19 anos representam 20,6% dos casos. Também foram registrados 127 casos entre meninas de 10 a 14 anos no período analisado.

Em relação à sífilis congênita, o estado registrou aumento do número de casos ao longo dos últimos anos. Dos casos notificados entre 2021 e 2026, 91,7% dos recém-nascidos permaneceram vivos, porém foram registrados 130 casos de aborto ou natimortalidade e 67 óbitos, evidenciando o impacto da transmissão vertical da doença.

Importância da testagem- Com o tema “Teste-se. Previna-se. Trate-se.”, a campanha Outubro Verde busca sensibilizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e ampliar o acesso à informação, à testagem e ao tratamento das ISTs. Durante o período, a SES-GO reforça que a principal forma de interromper a cadeia de transmissão da sífilis é a realização da testagem regular e o tratamento. Os testes rápidos estão disponíveis gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e oferecem resultado em poucos minutos.

A orientação para buscar a testagem é destinada a qualquer pessoa sexualmente ativa, às gestantes, conforme o calendário do pré-natal, aos parceiros e às parcerias de gestantes diagnosticadas com sífilis, pessoas que tiveram relação sexual sem preservativo, e pessoas que identificarem sinais ou sintomas suspeitos, como manchas no corpo e feridas no pênis e vagina. A prevenção da sífilis inclui o uso de preservativos em todas as relações sexuais e a realização periódica de exames. Quando diagnosticada, a doença tem cura e o tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo SUS.

Ações – Durante a campanha, a SES-GO desenvolverá ações estratégicas voltadas ao fortalecimento da prevenção, do diagnóstico precoce, do tratamento e da qualificação da assistência à sífilis em Goiás. As ações buscam alcançar diferentes públicos e territórios, levando a testagem e as estratégias de prevenção para espaços específicos, incluindo unidades prisionais e ambientes de trabalho. Os municípios também realizarão ações próprias por meio de suas secretarias municipais de saúde.

No dia 14 de outubro, a Gerência de Atenção Primária – Coordenação de Apoio Estratégico em Atenção às IST/AIDS e Agravos Transmissíveis realizará o Seminário Estadual de Sífilis – Qualificação do Manejo Clínico e Fortalecimento do Cuidado, destinado à qualificação e atualização dos profissionais de saúde. O encontro terá como foco o fortalecimento das práticas assistenciais, a atualização sobre diagnóstico e tratamento, o manejo clínico, a prevenção da transmissão vertical e a organização da linha de cuidado da sífilis na Rede de Atenção à Saúde. No dia 29 de outubro será realizada uma ação de testagem e distribuição de insumos de prevenção aos trabalhadores da empresa Equiplex, em Aparecida de Goiânia.