Eles são doze, sete mulheres e cinco homens, e um único desejo: chegar na Câmara Municipal de Goiânia, no pleito de 15 de novembro de 2020 para fazer a diferença. Eles dizem ter feito o dever de casa na pré campanha e agora na campanha. Gastaram muita sola de sapato para convencer o eleitor de que a proposta defendida por eles, faria diferença no legislativo goianiense. Eles são o Coletivo Zé Eduardo e formam uma equipe de mandato coletivo ou mandato compartilhado, uma proposta política em que várias pessoas compõem uma chapa, sendo que apenas uma leva o nome na cédula eleitoral.

O mandato coletivo visa mudar a forma do exercício de fazer política, com decisões coletivas, mas esbarra numa questão legal: não há mandato coletivo na legislação eleitoral brasileira. Trata-se de uma forma de exercício de mandato legislativo em que o representante legislativo se compromete a dividir o poder com um grupo de cidadãos. A falta de regramento permite que diversos modelos e formas de administrar o mandato sejam testados.

A falta de legislação específica se torna um desafio para candidatos, partidos, juízes e promotores que defendem eleições justas e limpas, ou seja, sem artimanhas para enganar o eleitor. Da Coordenadoria Estadual de Apoio aos Promotores Eleitorais do Ministério Público de Goiás (Ceap), o promotor eleitoral Cassius Marcellus de Freitas diz que o desafio é explicar para o eleitor que apenas um integrante do coletivo terá seu nome registrado como candidato.

”A nossa legislação trata de candidaturas individuais. Não há maiores controvérsias a não ser deixar bem claro para o eleitor que a candidatura é coletiva, mas que apenas um nome será registrado e apenas aquela pessoa vai aparecer nas urnas e apenas ela será diplomada. O eleitor não entender o que está acontecendo preocupa a justiça eleitoral. Considero crucial que o eleitor saiba exatamente o que está acontecendo. A preocupação é esta: esclarecer toda a questão, quem será eleito, como os demais integrantes vão participar deste mandato, quais as consequências da escolha por aquele candidato”, pontua Cassius.

Zé Eduardo é o nome que estará nas urnas. Ele explica a ideia do mandato: “Desde o ano de 2019 pensávamos nesta possibilidade. Fomos conhecer as principais experiências em outras unidades da federação. Vimos uma possibilidade real de sucesso e começamos a idealizar o grupo. Pensamos em uma equipe diversificada com representantes de vários segmentos. Neste processo percebemos a simpatia de formadores de opinião e passamos a viabilizar o projeto. Fomos recebendo a adesão voluntárias de pessoas da comunidade. Temos a convicção de que representamos o melhor para Goiânia.”

Senhoras e senhores, com vocês o Coletivo Zé Eduardo, um projeto novo por Goiânia.

Kallyta Mendes é empreendedora e para ela a sociedade está cansada do velho formato de fazer política. Sua defesa é voltada para práticas públicas de geração de emprego e renda.

Karla Cristina é assistente social e defende um mandato com mais autoridade no trato das pautas existentes. Em sua opinião este tipo de mandato valoriza proposituras que buscam o melhor para a cidade e seus habitantes.

Maria Mercês é administradora de empresa e considera o mandato coletivo um processo inovador e coletivo. O que ela espera? Mais democracia, igualdade e representatividade.
Gutto Lemos é produtor cultural e explica que sua motivação com esta forma de mandato é a decisão tomada em cunho coletivo e não apenas por um representante.

Juh Ribeiro é chefe de cozinha. Ela é motivada pelo desejo de uma Goiânia inovadora, com respeito e praticando a igualdade racial.

Célio Camilo é profissional de educação física e pretende voltar sua atuação para projetos que contemplem práticas de exercícios físicos, supervisionados de melhor forma por profissionais qualificados, que ele acredita serem agentes transformadores na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Berenice Vieira é ativista do movimento pelos direitos das mulheres. Apaixonada por política ele pretende transformar a Câmara Municipal num foro de debates para avanços em sua área de atuação.
Emília Silva e Souza é também assistente social e lutadora por uma cidade mais justa e humana. Ela afirma que o mandato coletivo é a melhor maneira de trazer para o debate os anseios da comunidade, pois quase todos os segmentos estão lá representados.

Adelina Brandão é formada em administração de empresa e atua como corretora de seguro. As demandas do setor ela pretende levar para a Câmara de Vereadores e discutir com a equipe do mandato coletivo projetos que minimizem as dificuldades do setor.

Aluísio Black é gestor do 3 setor e defende pautas afirmativas para o segmento. Black tem experiências incontáveis pois está à frente de uma organização de inclusão social da comunidade negra. Ele conhece bem a questão da vulnerabilidade social.

Fábio Rocha é publicitário e pensa ser hora de os parlamentos adotarem práticas políticas que justifiquem a confiança dos eleitores nas pessoas que escolhem para fiscalizar os atos os executores. Para ele o mandato coletivo amplia o leque de discussões de grades temas e tornam o parlamentar mais compromissado com o que quer a comunidade.