A Orquestra Filarmônica de Goiás apresenta, na próxima quinta-feira (9/7), às 20h, no Teatro Sesi, um programa dedicado a duas obras sinfônicas do século XX: a Sinfonia Mathis der Maler, do compositor alemão Paul Hindemith, e a Sinfonia nº 5, do inglês Ralph Vaughan Williams. Com regência do maestro titular Neil Thomson, o concerto tem entrada gratuita, sem necessidade de retirada antecipada de ingressos. Escritas durante o período da Segunda Guerra Mundial, as duas composições dialogam, cada uma à sua maneira, com um dos momentos mais dramáticos da história.

Enquanto Hindemith transforma sua obra em uma reflexão sobre o papel da arte diante do autoritarismo, Vaughan Williams oferece uma música marcada pela serenidade e pela esperança em meio ao cenário de destruição. Composta em 1934 e proibida pelo regime nazista, a Sinfonia Mathis der Maler só estreou em 1938, na Suíça. Considerada a principal obra orquestral de Hindemith, tornou-se um marco do repertório sinfônico do século XX ao unir contraponto inspirado na tradição, linguagem harmônica própria e intensa força expressiva, consolidando-se como referência do neoclassicismo musical.

Já a Sinfonia nº 5, de Vaughan Williams, estreou em 1943, na Inglaterra. Apesar de ter sido escrita durante a guerra, apresenta um caráter contemplativo e profundamente lírico, frequentemente interpretado como uma mensagem de paz e consolo. Hoje, figura entre as obras mais executadas do compositor britânico e é reconhecida pela sofisticação de sua construção e profundidade espiritual.

“As duas obras são fascinantes por serem, ao mesmo tempo, muito diferentes e muito semelhantes. Hindemith e Vaughan Williams foram compositores reconhecidamente modernos, mas suas músicas também soam antigas. Nesta sinfonia, Hindemith utiliza o estilo contrapontístico de Bach e a música religiosa da Reforma Alemã, enquanto Vaughan Williams recorre à música da igreja da era Tudor e à música folclórica”, explica o maestro Neil Thomson. Segundo ele, embora nenhum dos dois compositores fosse declaradamente religioso, ambos criaram obras de profunda espiritualidade.

A Orquestra Filarmônica de Goiás está incorporada à Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França, instituição vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e gerida, desde 2021, pela Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT).