Com a  recente decisão da Prefeitura de Goiânia em autorizar o funcionamento da Feira Hippie às sextas-feiras, em local ainda improvisado, empreendedores da Região da 44 temem que o polo confeccionista se torne numa verdadeira praça de guerra, devido à disputa de espaço entre lojistas, feirantes e ambulantes.
Na avaliação de muitos empresários da região, a fiscalização prometida pela Prefeitura de Goiânia quando do lançamento da operação Boas Compras, redundou em  fracasso  e mesmo com as denúncias da Associação Empresarial da Região da 44 (AER444) nenhuma providência foi tomada.
“Durante a pandemia nossos lojistas foram os primeiros a terem que fechar as portas e por muito tempo tivemos que trabalhar com restrições de horários e de lotação. Já os ambulantes nunca pararam e fazem o que quer. E ainda hoje, neste fim de ano de retomada de lojas e dos empregos, eles invadem calçadas, ruas, atrapalham o trânsito de carros e o fluxo dos turistas de compras e a fiscalização municipal nada faz”, reclama Crhystiano Câmara, presidente-executivo da AER44.
O presidente lembra que a Feira Hippie historicamente sempre funcionou a partir do começo da tarde de sábado até o fim da tarde de domingo, justamente para evitar esse conflito entre lojistas e feirantes. Para Crhystiano, a volta do funcionamento da Feira Hippie às sextas é uma decisão imprudente. “Estamos no fim do ano, o movimento de carros, de pessoas e de ônibus é enorme. A região que sempre teve graves problemas de trânsito, ficará ainda mais tumultuada com o funcionamento da Feira Hippie fora da Praça do trabalhador, vai ficar intransitável e isso só faz afugentar o nosso turistas de compras”, explica o presidente da AER44.
Crhystiano lembra ainda, que num passado não muito distante, a ausência da prefeitura para o devido cumprimento do ordenamento urbano levou a situações lamentáveis como brigas e até óbitos causados por desentendimento entre ambulantes. “Essa inoperância e irresponsabilidade da prefeitura gera uma forte tensão, que muitas vezes resultam em vias de fatos, quando não mortes”, destaca.
Para o presidente da associação empresarial, o prefeito Rogério Cruz precisa aprender a conhecer a cidade que governa. “Ele [o prefeito] precisa lembrar que suas decisões impactam milhares de pessoas, e que por isso precisam ser planejadas. Os lojistas, que pagam seus impostos, cumprem com suas obrigações legais para abrir e funcionar seu negócio, já enfrentam a competição desleal com os ambulantes e agora perdem espaço para os feirantes”, afirma.
Os diretores da AER44 também ressaltam que a montagem da Feira Hippie tem invadido as ruas no entorno da Praça do Trabalhador, travando o trânsito na região, mesmo após a inauguração de uma importante obra de mobilidade, que é o Viaduto da Moda, que liga o setor Nova Vila ao Norte Ferroviário. O problema já afeta até mesmo o terminal rodoviário, que teve que improvisar um novo acesso dos ônibus à área de embarque e desembarque. “Essa decisão sem qualquer planejamento da prefeitura está atrapalhando o funcionamento de um importante equipamento público, que é a rodoviária, e ao mesmo tempo deixa fechada por três dias na semana uma infraestrutura de mobilidade importante pra toda a cidade”, explica o presidente da AER44.
Atualmente, a feira ocupa grande parte da Av Leste-Oeste, uma boa parte da Rua 44 até uma das entradas da Rodoviária; também ocupa uma enorme área na  Viela 44, que fica entre a Praça da do Trabalhador e o Terminal Rodoviário; e também está numa grande extensão da AV. Goiás.
Para os diretores da AER44, o prefeito Rogério Cruz, apesar de várias promessas feitas aos empresários e lojistas da Região da 44, tem se mostrado negligente e omisso com esse polo confeccionista que é atualmente o maior empregador de Goiás.