Por Denis Gllauco
É importante fazermos um resgate do porquê, hoje, as pautas religiosas nas religiões cristãs se tornaram essencialmente sociais. A questão não é apenas política. É mais profunda do que imaginamos. É importante frisarmos que aquilo que mais reivindicamos, quando nos tornamos militantes, está muito ligado ao que não somos.
Já não havia mais sangria ou escape que pudesse esconder as mentiras e o falso moralismo das igrejas. As pautas sociais, de família, pátria, gênero, entre outras, serviram apenas para evidenciar o quão distantes os cristãos estão da verdade do evangelho. Politizar a fé foi o escape, foi a grande jogada de Satanás, para que ele reunisse novamente os cristãos em sua redoma de falsidade e fanatismo. Quer fidelizar? Fanatize.
Satanás, há milênios, tem observado o ser humano: seus movimentos políticos, sociais, sentimentais e suas expressões. Você não precisa falar uma palavra sequer para que ele e seus caídos anjos compreendam o que você diz. Ele é mestre da linguagem corporal, uma vez que não tem acesso aos nossos pensamentos, ele os lê através de nossas caras e bocas, olhares e suspiros. Nesse cenário, a ideologia tem servido como uma aliada de primeira ordem do mal.
É evidente — embora muitos não percebam — que não há sentido quando observamos as narrativas de ataque e defesa dessas ideologias, puro espiral que só tende a nos levar à subjugação política e após, massacre e repressão de quem pensa diferente. Não existe ideologia no Reino; existem apenas os ensinamentos de Cristo. Da mesma forma, não existe ideologia que aproxime mais alguém de Cristo do que o exemplo que Ele nos deixou.
O verdadeiro revolucionário foi Jesus Cristo, que instituiu o amor direto do Pai e trouxe a boa nova de que agora todos têm direito a esse amor e também à salvação .Diante disso, o conservador conserva a instituição do Reino, enquanto o progressista rompe com o senso comum humano para trazer à luz a verdade de Cristo. Já o liberal sustenta a liberdade individual, permitindo que o ser humano escolha, inclusive errar, e, por meio dessa liberdade, tenha a possibilidade de reconhecer, por si, o que é bom, perfeito e agradável aos olhos de Deus. Assim, o conservador é tão revolucionário quanto o progressista, e o liberal atua como elemento de equilíbrio na organização da sociedade, mantendo o espaço onde a fé pode ser vivida, anunciada e escolhida — nunca imposta. Nesse cenário, a seara se torna fértil para que o cristão vá ao campo e anuncie o amor de Cristo.
Jesus não obrigou ninguém a seguir os ensinamentos que apresentou. O mundo é uma mistura de tudo o que Deus criou com os desvios humanos que instituímos por meio da maldade. Deus já fez tudo por nós. Ele nos deu, inclusive, a política, para que pudéssemos nos organizar e viver melhor em meio às nossas diferenças. Deus também nos deu a capacidade filosófica de explicar a política, categorizando parte dela em ideologias, para que os seres humanos, em suas diferenças, se organizassem e seguissem suas vidas, adorando-O e observando os princípios que Ele deixou.
É mentira quando demonizam os liberais; isso é obra de Satanás. É mentira quando demonizam os conservadores; isso também é obra de Satanás. É mentira quando demonizam os socialistas; igualmente, é obra de Satanás. Isso porque os liberais anseiam por uma sociedade livre, onde cada indivíduo escolha como quer viver. Os conservadores protegem, com todas as suas forças, as instituições. Os socialistas defendem uma sociedade mais justa e igualitária por meio de mecanismos econômicos.
Esses três posicionamentos, em algum momento, serviram de base para excessos que culminaram em mortes e massacres de populações inteiras — e ainda vemos isso acontecendo. Aliás, O que aconteceu com os judeus na Segunda Guerra, senão o excesso de uma dessas ideologias? O que ocorreu na região da antiga União Soviética, senão o excesso de uma dessas ideologias? O que vemos no mundo hoje, senão o fruto desses excessos?
Satanás se apropriou do pensamento filosófico para produzir morte, para infiltrar-se nas igrejas e contaminar a mente das pessoas, colocando-as umas contra as outras. Isso acontece porque falta conhecimento aos cristãos.
Qual ideologia mais se assemelha ao Reino de Deus? Nenhuma. Não podemos rebaixar o Reino de Deus a ideologias. Fazer isso é entrar em um caminho sem volta, onde inevitavelmente encontraremos justificativas para práticas que corroem e ferem a criação de Deus.
Na ausência de Deus e do conhecimento da Palavra, caímos em um laço que leva a sociedade a enxergar tudo por meio de ideologias.
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