O teatro e o humor foram as ferramentas escolhidas pela SIM Incorporadora, em Goiânia, para abordar um tema sério e urgente: a violência contra as mulheres. A campanha interna alcançou cerca de 400 trabalhadores da construção civil, em sua maioria homens, com apresentações que combinaram informação, interação e conscientização.
Realizada em parceria com o Grupo Faz Art Produções e a NB Consultoria em Saúde e Segurança do Trabalho, a iniciativa percorreu quatro canteiros de obras na capital goiana. A última apresentação ocorreu no dia 2 de outubro, na obra do Cult Oxford, no Setor Leste Universitário, e foi conduzida pelo ator Dhanilo Mendes.
Durante aproximadamente 30 minutos, o artista utilizou improvisação, humor e interação com o público para informar sobre os diferentes tipos de violência contra as mulheres, sobre as leis de proteção e os canais de denúncia. As atividades foram incorporadas aos Diálogos Semanais de Segurança (DSS), encontros realizados com os trabalhadores para tratar de temas relacionados à segurança e à prevenção.
Segundo Ronaldo Rodrigues da Silva, coordenador de Segurança e Saúde no Trabalho da SIM Incorporadora, a proposta foi ampliar o acesso à informação e envolver os trabalhadores no enfrentamento da violência de gênero. “Diante dos alarmantes números sobre a violência de gênero, a empresa teve essa iniciativa de fazer, durante toda a semana, em todos os seus canteiros de obras, essa ação de conscientização, trazendo de forma lúdica e por meio do teatro informações importantes sobre o tema, como os tipos de violência contra as mulheres e os mecanismos de denúncia”, afirmou Ronaldo.
O coordenador também destacou a receptividade dos colaboradores e a importância de se combater a naturalização da violência. “Percebemos que a adesão dos trabalhadores foi total. Eles atenderam à nossa solicitação, que era prestar atenção e entender que a violência contra a mulher não pode ser naturalizada em nenhuma situação”, acrescentou.
Para o gesseiro Gilmar de Assis, que trabalha na obra do Cult Oxford, a apresentação trouxe informações sobre direitos e medidas de proteção que ele ainda desconhecia. “Eu achei muito bom, até porque sou pai de uma menina que está crescendo, e é bom saber que existem leis e medidas que podem protegê-la”, relatou.
A auxiliar de serviços gerais Maraisa Araújo, também colaboradora da obra do Cult Oxford, ressaltou a importância de envolver os homens no debate e de promover ambientes seguros para as mulheres. “Hoje me perguntaram, durante o teatro, se eu me sentia segura e, felizmente, eu realmente me sinto segura, tanto aqui na empresa como na minha casa, porque sou respeitada em ambos os ambientes. Mas eu quero isso para todas as mulheres do Brasil e, infelizmente, não é o que está acontecendo”, afirmou.
Participação feminina na construção civil – Para Paulo Silas, sócio-diretor da SIM Incorporadora, iniciativas de conscientização ganham ainda mais relevância diante da ampliação da presença feminina na construção civil. Embora as mulheres ainda representem uma parcela minoritária da força de trabalho do setor, sua participação vem crescendo, reforçando a necessidade de ambientes profissionais baseados no respeito, na igualdade de oportunidades e na prevenção de diferentes formas de violência. “A promoção desse ambiente respeitoso e harmonioso tem um impacto direto no bom clima organizacional e consequentemente na produtividade e qualidade do trabalho”, destacou Paulo Silas.
Na avaliação de Ricardo Maciel, também sócio-diretor da SIM, o enfrentamento da violência contra as mulheres é uma responsabilidade coletiva, que exige a participação de toda a sociedade. “Promover e manter um ambiente de trabalho respeitoso e seguro para todos, homens e mulheres, reflete em ganhos para todos. Para os homens, que conseguem entender e respeitar o espaço e os direitos das mulheres, melhorando inclusive seu relacionamento com mulheres de sua convivência, como esposa, mãe, filhas ou irmãs. Para as mulheres, que se sentem seguras e valorizadas no local de trabalho, e também para a empresa, que consegue mais produtividade de seus colaboradores, uma vez que cultiva um ambiente laboral de respeito e harmonia”, explicou.
Números preocupantes – O enfrentamento da violência contra as mulheres permanece como um desafio para o poder público, as empresas e a sociedade. Entre os instrumentos de proteção está a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Segundo o Ministério das Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 registrou 1.088.900 atendimentos em 2025, crescimento de 45% em relação ao ano anterior. A média foi de aproximadamente 3 mil atendimentos por dia, incluindo orientações sobre direitos, serviços de proteção e denúncias de violência.
As vítimas e demais pessoas que tenham conhecimento de situações de violência podem buscar orientação pelo Ligue 180. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190. Ao levar o debate para os canteiros de obras, a SIM Incorporadora busca contribuir para que a conscientização ultrapasse o ambiente profissional e alcance também as relações familiares e sociais dos trabalhadores.
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