As cenas de violência registradas durante a Copa de Uberlândia, envolvendo equipes rivais em uma competição de futebol infantil, reacenderam um debate importante sobre o comportamento de atletas, pais, professores e responsáveis no ambiente esportivo.
O episódio, que deveria ter como protagonistas crianças e adolescentes em um momento de aprendizado e integração, evidenciou um problema que ultrapassa as quatro linhas: a dificuldade de lidar com a competitividade, as frustrações e as diferenças no esporte.
Diante desse cenário, a Sharks F.C., projeto de formação esportiva de Goiás, decidiu transformar a preocupação em uma iniciativa concreta.
O sócio-proprietário do clube, Cássio Douglas, manifestou seu posicionamento sobre o ocorrido e anunciou que a instituição vai viabilizar, com recursos próprios, uma palestra de conscientização para pais, alunos e professores de diferentes escolas de Goiânia.
A ação será realizada por meio do Método 77, desenvolvido pela psicóloga e mentora esportiva Suelem Parede, e terá como foco a importância do comportamento, do respeito, da inteligência emocional e do controle das emoções no ambiente esportivo.
“Precisamos entender que o esporte, principalmente nas categorias de base, existe para formar pessoas, ensinar valores e proporcionar oportunidades. Não podemos aceitar que a violência, a intolerância e a falta de controle emocional façam parte desse ambiente. Os adultos precisam compreender que são exemplos para as crianças. Quando pais e responsáveis perdem o controle à beira de um campo, que mensagem estão transmitindo aos pequenos? Queremos contribuir para mudar essa realidade e mostrar que competir não significa desrespeitar. É possível buscar resultados, formar atletas e, acima de tudo, formar cidadãos”, destaca Cássio Douglas.
A proposta é trabalhar a conscientização de todos os envolvidos na formação de jovens atletas, especialmente das famílias e dos profissionais que acompanham as crianças durante treinamentos e competições.
A iniciativa parte do entendimento de que a formação esportiva não deve se limitar ao desenvolvimento técnico, físico e tático, mas precisa contemplar também valores como disciplina, respeito ao adversário, espírito de equipe e capacidade de lidar com vitórias e derrotas.
Formação esportiva – O episódio de Uberlândia reforça uma preocupação presente em diferentes categorias do esporte brasileiro: quando a rivalidade ultrapassa os limites da competição, o ambiente que deveria promover educação, convivência e desenvolvimento pode se transformar em um espaço de hostilidade.
Para a Sharks, a responsabilidade pela construção de uma cultura esportiva mais saudável é compartilhada entre clubes, treinadores, atletas, famílias e instituições.
A iniciativa busca contribuir para uma mudança de comportamento, levando o debate para além dos campos e envolvendo diretamente aqueles que exercem influência sobre crianças e adolescentes.
Formação de atletas e de cidadãos – Com aproximadamente 600 alunos, de 4 a 15 anos, a Sharks vem se consolidando como um dos projetos de formação esportiva em expansão em Goiás. O clube desenvolve uma metodologia que integra preparação técnica, física, tática, emocional e comportamental.
Em apenas seis meses de atividade, a equipe conquistou os títulos do Campeonato Goiano nas categorias Sub-6, Sub-7 e Sub-8, além do vice-campeonato da IberCup São Paulo, na categoria Sub-8 Ouro.
O planejamento prevê a ampliação das categorias de base, com a implantação dos times Sub-17 e Sub-20.
O projeto também mantém conexões com grandes clubes do futebol brasileiro, como Palmeiras, Flamengo e Fluminense, para avaliações e oportunidades destinadas aos jovens atletas. Entre as iniciativas está ainda uma parceria com o ex-jogador Fernando Reges, com foco na ampliação das possibilidades de intercâmbio esportivo e acesso ao mercado europeu.
Além da formação esportiva, a Sharks mantém um projeto social que beneficia aproximadamente 200 crianças e adolescentes, utilizando o futebol como instrumento de inclusão, disciplina e transformação social.
Com a nova iniciativa de conscientização, o clube reforça uma mensagem: tão importante quanto formar bons jogadores é contribuir para formar pessoas capazes de respeitar o próximo, controlar suas emoções e compreender que o esporte deve ser, antes de tudo, um espaço de educação, convivência e oportunidades.
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